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Uma tendencia na medicina vem despontando na preferencia dos pacientes, um novo modelo onde o medico não apenas passa um tratamento mas explica o porque da escolha desta abordagem , mostrando dados estatísticos e um programa de resultados.

vamos imaginar a seguinte situação:

É hora de fazer seu exame médico anual e você está confiante. Quando o médico lhe disse que apresentava alto risco de sofrer um ataque do coração você começou a seguir uma dieta e a exercitar-se regularmente. Fez tudo que ele recomendou para manter o colesterol sob controle. Sentiu-se aliviado, mas não surpreso, quando os resultados do laboratório mostraram que os níveis de colesterol são inferiores aos da consulta anterior.

Por isso, você fica confuso quando o médico sugere que comece a tomar um medicamento para baixar o colesterol. Fica preocupado e pensa: o que aconteceu?

Ele explica que novos estudos clínicos demonstram que pessoas com risco alto ou moderadamente alto de sofrer ataque cardíaco são beneficiadas com um tratamento mais agressivo. Esses estudos levaram o Programa Nacional de Educação de Colesterol, dos Estados Unidos, a atualizar suas diretrizes de tratamento para recomendar que essas pessoas façam tudo o que for possível para reduzir os níveis de colesterol LDL (o “mau” colesterol). Se não conseguirem isso com dieta e prática de exercícios, significa que precisam começar a se tratar com medicamentos que reduzem o colesterol.

A abordagem do médico para o seu tratamento é conhecida pela expressão "Medicina Baseada em Evidências" - aplicar as melhores evidências em casos específicos para melhorar o atendimento ao paciente. Não é isso que os médicos deveriam estar fazendo o tempo todo? Sim, mas a explosão do volume de informações que tem afetado muitos segmentos da sociedade é sentida de forma espacialmente forte na medicina.

O conhecimento médico está se acumulando e mudando a velocidade surpreendente, de tal forma que a comunidade médica descobriu que precisava de novos métodos para lidar com tudo isso. Constantemente são introduzidos novos exames, medicamentos, procedimentos e tratamentos. São publicados diariamente estudos com novos dados que mantêm ou modificam crenças de longa data e que, às vezes, exigem mudanças substanciais no tratamento e/ou hábitos. Um estudo descobriu que um especialista em medicina interna que lê as cinco melhores revistas da área estaria exposto a apenas metade dos artigos mais relevantes nessa especialidade. Mesmo os principais bancos de dados da literatura incluem menos da metade das publicações científicas do mundo.

A Medicina Baseada em Evidências (MBE) é um sistema formalizado para ajudar a comunidade médica a lidar com essa explosão de informações. Trata-se de protocolos formais que são aplicadas para os dados mais recentes para determinar quais deles levam aos melhores resultados. Esse processo de filtragem e estabelecimento de prioridades requer um esforço enorme para tratar grandes volumes de informação, mas o resultado final ajuda os médicos a identificar os melhores exames diagnósticos e tratamentos.

Medicina baseada em evidências & laboratório

Aquela recomendação para tentar reduzir os níveis de colesterol com medicamentos é um exemplo da medicina baseada em evidências. As orientações foram alteradas com base nas conclusões de cinco estudos clínicos que testaram os resultados dos medicamentos para baixar o colesterol em pacientes de maior risco.

Outro exemplo de um exame de laboratório que tem diretrizes baseadas em evidências que desenham o seu uso correto é o teste de hemoglobina A1c, ou hemoglobina glicada, usado no controle do diabetes. Através da medição de glicose ligada à hemoglobina, o exame apresenta um retrato do valor médio de glicose no sangue nos últimos 2 a 3 meses.

Um estudo de cinco anos feito nos Estados Unidos chamado Diabetes Control and Complications Trial (DCCT) demonstrou que o controle rigoroso dos níveis de glicose através de um tratamento agressivo e acompanhamento reduz a incidência de complicações que podem fazer do diabetes uma doença debilitante.

O teste de hemoglobina A1c tem sido uma parte importante do controle do diabetes, mas com os resultados do DCCT, a capacidade do teste para rastrear o controle glicêmico a longo prazo tornou-se ainda mais significativa. Agora é um componente chave no controle da doença. Este reconhecimento levou a orientações sobre a frequência das dosagens e dos níveis desejados, que são revistos regularmente e ocasionalmente atualizados, razão pela qual esses níveis podem mudar.

Os exames laboratoriais, como o de colesterol, desempenham um papel fundamental na medicina, mas a informação que fornecem é apenas uma parte do processo clínico que foi concebido para proporcionar melhores resultados. Os resultados do colesterol não são considerados isoladamente, mas no contexto de seus fatores de risco.

Os pesquisadores estão constantemente à procura de novos e melhores testes, mas muitas vezes quando um teste é introduzido, falta-nos um retrato completo de seu contexto clínico, e pode levar algum tempo para saber a maneira correta de aplicar a informação que ele proporciona. Esta incerteza pode levar a problemas quando a imprensa divulga o último grande teste, e os pacientes começam a perguntar a seus médicos sobre o assunto.

“Há testes muito populares, mas nós realmente não sabemos onde eles se encaixam", disse Robert Flaherty, um médico de atendimento primário, que é professor de medicina baseada em evidências na Universidade Estadual de Montana (Montana State University),nos Estados Unidos. “Um deles é a homocisteína. Níveis elevados de homocisteína estão associados a um risco aumentado de doença cardíaca. Mas o que vemos é que se você diminuir os níveis de homocisteína, parece que o risco não diminui.”

Flaherty faz uma distinção entre "tratar um número", como um nível de colesterol ou de homocisteína, e tratar um paciente. A razão final para tomar um medicamento que diminui o colesterol é reduzir o risco de ataque cardíaco, e os ensaios clínicos encontraram os medicamentos que, de fato, diminuem esse risco. Mas ainda não está claro o contexto do teste de homocisteína para essa redução.

“É importante perceber o que o teste de laboratório está nos dizendo, e geralmente ele nos diz de uma associação entre uma determinada substância química e uma doença", diz Flaherty. "Então, o que precisamos fazer é verificar se o tratamento que faz a substância retornar ao valor normal na verdade reduz a incidência da doença.”

Fazendo sua própria pesquisa

Ao fazer sua própria pesquisa, a questão fundamental a ter em mente é: "Quão forte é a evidência que apóia essa recomendação?"

Procure fontes sólidas: Os avanços médicos chegam constantemente, então você precisa prestar atenção para novas descobertas, mas precisa ser cuidadoso sobre o que pesquisa. Uma fonte como o National Cholesterol Education Program é um exemplo, e há três estudos clínicos em andamento envolvendo indivíduos de alto risco, portanto, quando os resultados estiverem disponíveis, as suas recomendações podem ser modificadas novamente.

Cuidado com a imprensa: A imprensa precisa encontrar "notícias" e até mesmo artigos científicos competem por atenção, por isso pode destacar a aparente importância de um projeto de pesquisa. Uma área crítica são as estatísticas questionáveis, especialmente os estudos que enfatizam as mudanças no risco relativo ou melhoria relativa ao invés de risco absoluto ou melhoria absoluta. Em outras palavras, se um tratamento é reivindicado para reduzir o risco de ataque cardíaco em 50%, parece que o tratamento faz uma grande diferença. Uma redução de 50% em seu risco relativo, no entanto, pode significar que ela corta o risco absoluto de 2% para 1%. "Redução do risco relativo é frequentemente usada em relatórios para fazer a pesquisa parecer mais importante do que ela realmente é", diz Robert Flaherty.

Cuidado com o único estudo: Outro perigo na imprensa é o foco em um único estudo que apresenta uma surpreendente descoberta. Tenha muito cuidado com as decisões baseadas em um único estudo. Às vezes, esse estudo surpreendente irá receber uma grande dose de atenção, enquanto outro que o refuta será ignorado.

Procure pelos melhores trabalhos: Segundo Flaherty: "Quando eu comecei a olhar artigos de periódicos e pesquisas a partir de uma abordagem de MBE, há cerca de sete ou oito anos, 80% dos artigos que encontrei foram apenas de pesquisa de má qualidade. Agora, as coisas melhoraram para o ponto onde apenas cerca de 50% da pesquisa é ruim, ou mal feita, ou mal interpretada ou irrelevante.".

Graças à ênfase da MBE, há uma tendência para a publicação de artigos de revisão chamados meta-análises que sujeitam a literatura a um tipo novo e sofisticado de controle. Eles reanalisam cada artigo para ver quais fornecem bons dados e os que são menos confiáveis, lançando fora os dados ruins e chegando com novas descobertas sobre o que realmente indica a literatura sobre um teste, tratamento ou condição.

Mantenha o foco nas evidências: Se você estiver olhando para orientações de tratamento clínico, procure sinais de que essas orientações são verdadeiramente baseadas em evidências. Muitas não são, principalmente orientações mais antigas que não foram atualizadas. Um dos pioneiros da MBE chamava esses grupos de "bando de caras velhos discutindo em torno de uma mesa". Na literatura médica, há cada vez mais referências à "mitologia médica" e de que a sabedoria convencional ensinada na escola de medicina mais tarde acabou por ser tida como falsa.

Nos melhores sites e diretrizes (guidelines) classificam a qualidade das evidências segundo uma escala. Por exemplo, a Agência dos EUA para a Pesquisa e Qualidade descreve o seu nível superior, nível I, como "as evidências obtidas a partir de pelo menos um estudo randomizado e controlado adequadamente". Nível III é derivada de "opiniões de autoridades respeitadas, baseadas na experiência clínica, estudos descritivos e relatos de caso ou relatos de comitês de especialistas".

Reconheça que não sabemos todas as respostas: Em alguns casos, mesmo os pacientes bem informados podem não ser capazes de encontrar as informações que procuram, porque nem toda questão clínica tem sido, ou foi, avaliada através de técnicas de MBE. E mesmo se já foi avaliada, a evidência mais recente ainda não pode dizer qual é o melhor tratamento para você. É comum ter que avaliar com cuidado os benefícios e malefícios do tratamento. Isso deveria envolver médicos e pacientes, auxiliando na tomada de decisões, como escrever os prós e contras de tratamentos e abordagens diferentes, e, a partir daí, fazer seu próprio diagrama de fluxo de decisão.